DA BASE PARA A MESA
Quando a negociação vira um roteiro, talvez seja hora de mudar a estratégia.
A negociação do Saúde Caixa entrou em uma nova fase. Após semanas de apresentação de dados, a Caixa finalmente apresentou uma proposta para o plano. A representação dos empregados rejeitou a proposta por ampliar significativamente a participação financeira de empregad@s, aposentad@s e pensionistas, sem enfrentar a principal reivindicação construída pela categoria: a retirada do teto estatutário de 6,5% e o retorno efetivo ao modelo de custeio 70/30.
A rejeição era previsível. Mas a proposta também traz uma oportunidade de reflexão.
Quem acompanha as campanhas nacionais há alguns anos conhece esse roteiro: primeiro surgem os números, depois uma proposta distante da pauta aprovada pela categoria, seguida da rejeição e da continuidade das negociações.
A pergunta é: estamos apenas reagindo às propostas da Caixa ou conseguindo conduzir a negociação para as soluções que defendemos?
Durante muito tempo, as entidades cobraram transparência da Caixa. Agora que os dados começam a chegar à mesa, eles precisam servir para algo maior do que justificar propostas do banco. Precisam fortalecer as contrapropostas da categoria.
Se a Caixa afirma que o plano enfrenta dificuldades financeiras, também precisamos discutir as causas desses custos e as medidas capazes de reduzi-los.
Reafirmamos que é preciso questionar:
como reduzir desperdícios e combater fraudes;
como fortalecer a prevenção e diminuir custos assistenciais;
como aperfeiçoar auditorias e controles;
como reduzir os vazios assistenciais;
como qualificar o atendimento e a gestão do plano;
como aproximar novamente a administração do Saúde Caixa dos usuários, fortalecendo a gestão regional.
Esses questionamentos dialogam diretamente com a minuta de reivindicações aprovada pela categoria e ajudam a construir soluções sem retirar direitos.
A APCEF/RS também entende que esse debate precisa chegar à base. Respeitados os limites naturais da negociação, os empregados devem conhecer e debater cada ponto dos dados apresentados pela Caixa. Quanto maior a participação da categoria, mais qualificada será a construção das contrapropostas.
Afinal, quem vive diariamente a realidade das agências, das áreas-meio, das unidades digitais, das GIPES, dos aposentados e dos usuários do Saúde Caixa também produz conhecimento. E conhecimento compartilhado fortalece a negociação.
"Negociação coletiva não é um espetáculo para ser assistido. É uma construção permanente de todos e todas nós
E talvez esteja justamente aí o maior desafio desta campanha. Se continuarmos discutindo apenas as propostas que a Caixa apresenta, permaneceremos jogando a partida no tabuleiro escolhido pelo banco.
Mas, se conseguirmos transformar a inteligência coletiva da categoria em estratégia de negociação, deixaremos de apenas responder aos movimentos do adversário para começar a construir as nossas próprias jogadas.
"A força da negociação não nasce apenas na mesa. Ela nasce da base", argumenta Simoni Fernandes Medeiros, diretora de Saúde e Relações de Trabalho da APCEF/RS.
Proposta apresentada pela Caixa, divulgada pelo CEE Caixa prevê reajuste de 3,5% para 5,5% da contribuição base dos empregados além de reajustes sobre os dependentes. Veja na imagem em anexo a esta matéria.













