A
1ª EDIÇÃO DO JORNAL JOÃO DE BARRO
Em
dezembro de 1957, circulou pela primeira vez o jornal João de Barro,
uma publicação da Associação do Pessoal da Caixa Econômica
Federal do Rio Grande do Sul. A manchete de capa foi: Torna-se realidade
o serviço de assistência social dos economiários.A reportagem,
que iniciava na própria capa e continuava na página 5, noticiava
a criação do Serviço de Assistência e Seguro Social dos economiários
(Sasse). Segundo o texto, tratava-se da concretização de “uma antiga
aspiração dos funcionários das Caixas Econômicas Federais do Brasil,
após anos de luta, numa reparação à injustiça na Previdência Social”.
A capa também estampava uma foto de senhores engravatados,
com a seguinte manchete: Realizada a primeira assembléia geral da
APCEFER (antigo nome da APCEF). O texto contava que a assembléia,
realizada em 30 de agosto, era de caráter reivindicatório. Estudava-se
“a possibilidade de Apcefer interferir junto à administração da
Caixa, no sentido de ser concedida uma melhoria salarial em virtude
da grande disparidade verificada...”
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O
estilo do texto da época buscava uma certa pomposidade, utilizando-se
de termos rebuscados, como na narração sobre o início da assembléia:
“Instalados os trabalhos, que foram presididos pelo colega Dr. Manoel
Gonzáles (com muito acerto e sobranceria) depois de várias marchas
e contra-marchas, definiram-se duas correntes...”.
A mesma reportagem registrou como era o ambiente das assembléias
da época: “Animaram-se os debates, brilhando os representantes de
ambas as facções então formadas, obrigando, várias vezes, a que
o presidente da sessão tomasse providências enérgicas, a fim de
que continuassem normais os trabalhos”.
Na
página 3, o João de Barro apresentava seu editorial. Com um texto
cheio de construções poéticas, o jornal dizia a que vinha.Na edição, também foram feitos comunicados do casamento
da “colega Hebe Berquó (Comunicações) e do nascimento do filho”
do colega Hugo de Souza Fróes (Contadoria Geral) “. Também apresentava
entrevista com” o colega Gastão Boher, que acaba de regressar de
uma tournée de dois meses pelo Velho Mundo...”. O João de Barro
trazia uma seção de“ Manias e Passa Tempo “e outra de Palavras Cruzadas”.
Desde seu primeiro número, o jornal já se tornava um
registro histórico da trajetória da Associação, da Caixa e dos
seus empregados. Uma das reportagens, por exemplo, dizia que “entre
os objetivos, mais importantes da APCEFER, incluem a organização
de uma colônia de férias”. E continuava: “O problema não é simples,
como à primeira vista parece, pois não só envolve questões que
dizem respeito às finanças da Associação, como também da localização
mais apropriada aos interesses de todos os nossos associados,
quer da Capital, quer do Interior do Estado”.
Matéria
extraída do Jornal João de Barro ed. Dezembro/1997.
O
JOÃO DE BARRO
Ibanez
Ribeiro Lisboa
Quando
no ermo de um descampado à beira da estrada longa que conduz ao
mundo alucinante das cidades, o humilde e rude campeiro ergue
a casa de torrões ou levanta o rancho primitivo coberto de santa-fé,
tem a imita-lo na faina ingente e cansativa um ativo e alegre
companheiro: o João de barro.
Ambos,
homem e pássaro, com “o engenho e arte”. Constroem o lar
modesto para refúgio e abrigo da prole numerosa e barulhenta.Que
diferença há entre o rancho do campeiro e a casa do João
de Barro?
Nenhuma!
As
duas têm tanto de telúrico que se condicionam naturalmente
à paisagem como uma árvore, um bicho ou uma simples flor
campestre. O pássaro ao construir seu ninho obedece ao que
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se convencionou chamar a inteligência da espécie, ou seja, o instinto.
O campeiro, em seu rancho subordina-se quase ao mesmo processo
usando a técnica bárbara do primeiro.
Por isto o campesino, arquiteto tosco e não sofisticado
do deserto, admira a avezita bulhenta e vivaz que com ele ombreia
na construção da casa própria. Mas ainda, verifica num longo convívio
que o pássaro possui qualidades e virtudes de alta valia.
É corajoso e tenaz. Acasalado, é fiel, e ainda é amável
companheiro sempre saltitante a trinar estridentes gargalhadas
na alegria, simples dos bons.
Eis, porque, ao contrário dos países platinos onde
o pássaro é chamado de “hornero”, no Brasil a bondade e a ternura
do nosso homem do campo, considera-o um igual companheiro, e por
isto deu-lhe nome de gente: João de Barro.
Na solidão do pago ele é o vizinho mais próximo, o
que está sempre junto do gaúcho na boa ou na má hora.
Por tais motivos o escolhemos para símbolo da APCEFER,
que quer ser para todos colegas o vizinho mais próximo, constante
e prestimoso nas horas de alegria ou de amargura.
Parte dessa intenção é o modesto periódico que hoje
circula pela primeira vez. Outros projetos serão realizados com
tempo, paciência e perseverança, porque uma casa não constrói
num dia. Nem mesmo a do João de Barro.
Matéria extraída do Jornal João de Barro ed.
Dezembro/1997.
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