Jornal João de Barro - nº268 outubro/2002
roteiro cultural
Índios não querem a Alca 
Documentário denuncia os perigos da implantação do acordo através do cotidiano de uma aldeia indígena.

A Área de Livre Comércio das Américas (Alca) é uma proposta para um acordo comercial, apresentada pelo governo norte-americano em 1994, na I Cúpula das Américas. A idéia é reunir sobre um mesmo bloco comercial a maior potência militar e econômica do mundo, os Estados Unidos, e os outros 33 países das Américas, com exceção de Cuba. Para ser mais um instrumento de informação e oposição a este projeto de recolonização norte-americana, o Sindicato dos Empregados em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e de Fundações Estaduais do RS (Sema-pi) produziu um documentário chamado Anheteguá, realizado em junho deste ano na Aldeia Guarani de mesmo nome, localizada na Lomba do Pinheiro, zona sul de Porto Alegre. O filme, apresentado no Fórum Social Mundial temático da Argentina, mostra através do cotidiano da tribo indígena, símbolo dos primeiros povos saqueados do continente, as ameaças de desintegração cultural, política e econômica da Alca.
De acordo com o coordenador de produção do filme e diretor do Semapi, Jorge Cruz, a idéia do projeto partiu da necessidade de se ter um instrumento de audiovisual para informar a população sobre os grandes riscos da Alca. "Nós temos muito material escrito, mas não possuíamos nada em vídeo que pudesse ilustrar os eventos e palestras que realizamos sobre a Alca", afirma Cruz.Anheteguá, que pela língua guarani significa liberdade, tem duração de 20 minutos. Como 2002 é o ano da Confraternização Universal em Defesa dos Povos Indígenas, a proposta do filme é sensibilizar as pessoas a perceberem que a assinatura do acordo faz parte de um processo de recolonização norte-americana. O vídeo também serve como uma oportunidade de acabar com o desconhecimento das pessoas sobre o que é Alca. "Não é surpreendente que as pessoas não conheçam o acordo, mesmo aquelas que estão em busca de cargos públicos", ressalta Cruz. "A Alca vem sendo discutida há muito tempo, mas de uma forma sigilosa, nos bastidores dos governos; a sociedade não faz parte desse debate." Para Cruz, é importante que sejam produzidos cada vez mais projetos como este, para que as denúncias sobre a Alca cheguem para toda a sociedade. Os interessados em adquirir o documentário podem entrar em contato com o Semapi, através do telefone (51) 3212.5222 ou ir até a sede do sindicato, na Rua Lima e Silva, 208, em Porto Alegre. O custo é de R$ 10 e todo o dinheiro arrecadado será revertido em prol da aldeia indígena. "O filme tem um duplo sentido", explica Cruz. "Além de denunciar uma ação política internacional promovida pelo governo norte-americano, estamos colaborando com a aldeia, para que eles possam ter alimentação, assistência médica e uma melhor condição de vida."
NÃO À ALCA
De 2 a 7 de setembro, mais de 10 milhões de pessoas de todo o país, maiores de 16 anos, participaram do Plebiscito Nacional sobre a Alca. O resultado foi divulgado em Brasília no dia 18, mostrando que 98% dos eleitores não concordam com a participão o do Brasil na Alca e nem com a entrega da base militar de Alcántara, na Amazônia, para o governo norte-americano. A ampla participação popular fez do plebiscito um sucesso. Em alguns municípios, cerca de 80% da população se pronunciou, mostrando o grande interesse do povo em não permitir que o país faça parte do acordo. Esse número torna-se ainda mais expressivo considerando o fato de que ninguÈm era obrigado a votar. Para o integrante do Comité Gaúcho contra a Alca, Milton Vilrio, o objetivo do plebiscito foi plenamente atingido. "Queríamos levar para a população este debate que estava escondido
dentro dos gabinetes do governo federal", comemora. De acordo com Vil·rio, o resultado mostra que o povo brasileiro se interessa por problemas sociais, e quer debatÍ-los. "Quando chamada, a população participa efetivamente", destaca. "O plebiscito foi o maior movimento pedagógico realizado em toda a história do Brasil."

Artistas da Caixa
Obras na Europa

O artista plástico e empregado da Caixa em Ijuí Carlos Boti participa pela primeira vez do 7º Circuito Internacional de Arte Brasileira. As suas obras vão estar expostas em salas de exposição
e nas embaixadas brasileiras em Paris, França, e em Viena, Áustria, durante o mês de outubro. Carlos Boti, que é formado em Comunicação Visual, começou trabalhando com publicidade. Na Caixa desde 1989, ele já mostrou o seu talento em campanhas desenvolvidas pela empresa como a "Amigo da Vida", realizada em 1992 em que criou uma série de charges e desenhos chamada "Eles não usam camisinha", exposição que percorreu vários estados brasileiros. As três obras que estarão participando do Circuito são pinturas e desenhos que retratam a realidade de pessoas à margem da sociedade. "O meu trabalho é voltado para o social", afirma Boti. Depois que passou a trabalhar na Caixa ele diz ter pouco tempo para exercer as artes plásticas, mas a participação no Circuito deu um novo incentivo. "Estou produzindo todo dia", diz. "Quero participar da próxima edição do Circuito com um trabalho mais elaborado", completa.