Índios
não querem a Alca
Documentário denuncia os perigos da implantação
do acordo através do cotidiano de uma aldeia indígena.
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A
Área de Livre Comércio das Américas (Alca)
é uma proposta para um acordo comercial, apresentada pelo
governo norte-americano em 1994, na I Cúpula das Américas.
A idéia é reunir sobre um mesmo bloco comercial
a maior potência militar e econômica do mundo, os
Estados Unidos, e os outros 33 países das Américas,
com exceção de Cuba. Para ser mais um instrumento
de informação e oposição a este projeto
de recolonização norte-americana, o Sindicato dos
Empregados em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações
e Pesquisas e de Fundações Estaduais do RS (Sema-pi)
produziu um documentário chamado Anheteguá, realizado
em junho deste ano na Aldeia Guarani de mesmo nome, localizada
na Lomba do Pinheiro, zona sul de Porto Alegre. O filme, apresentado
no Fórum Social Mundial temático da Argentina, mostra
através do cotidiano da tribo indígena, símbolo
dos primeiros povos saqueados do continente, as ameaças
de desintegração cultural, política e econômica
da Alca. |
De acordo
com o coordenador de produção do filme e diretor do Semapi,
Jorge Cruz, a idéia do projeto partiu da necessidade de se ter
um instrumento de audiovisual para informar a população
sobre os grandes riscos da Alca. "Nós temos muito material
escrito, mas não possuíamos nada em vídeo que pudesse
ilustrar os eventos e palestras que realizamos sobre a Alca", afirma
Cruz.Anheteguá, que pela língua guarani significa liberdade,
tem duração de 20 minutos. Como 2002 é o ano da Confraternização
Universal em Defesa dos Povos Indígenas, a proposta do filme é
sensibilizar as pessoas a perceberem que a assinatura do acordo faz parte
de um processo de recolonização norte-americana. O vídeo
também serve como uma oportunidade de acabar com o desconhecimento
das pessoas sobre o que é Alca. "Não é surpreendente
que as pessoas não conheçam o acordo, mesmo aquelas que
estão em busca de cargos públicos", ressalta Cruz.
"A Alca vem sendo discutida há muito tempo, mas de uma forma
sigilosa, nos bastidores dos governos; a sociedade não faz parte
desse debate." Para Cruz, é importante que sejam produzidos
cada vez mais projetos como este, para que as denúncias sobre a
Alca cheguem para toda a sociedade. Os interessados em adquirir o documentário
podem entrar em contato com o Semapi, através do telefone (51)
3212.5222 ou ir até a sede do sindicato, na Rua Lima e Silva, 208,
em Porto Alegre. O custo é de R$ 10 e todo o dinheiro arrecadado
será revertido em prol da aldeia indígena. "O filme
tem um duplo sentido", explica Cruz. "Além de denunciar
uma ação política internacional promovida pelo governo
norte-americano, estamos colaborando com a aldeia, para que eles possam
ter alimentação, assistência médica e uma melhor
condição de vida."
NÃO
À ALCA
De 2 a 7 de setembro, mais de 10 milhões de pessoas de todo
o país, maiores de 16 anos, participaram do Plebiscito Nacional
sobre a Alca. O resultado foi divulgado em Brasília no dia
18, mostrando que 98% dos eleitores não concordam com a participão
o do Brasil na Alca e nem com a entrega da base militar de Alcántara,
na Amazônia, para o governo norte-americano. A ampla participação
popular fez do plebiscito um sucesso. Em alguns municípios,
cerca de 80% da população se pronunciou, mostrando
o grande interesse do povo em não permitir que o país
faça parte do acordo. Esse número torna-se ainda mais
expressivo considerando o fato de que ninguÈm era obrigado
a votar. Para o integrante do Comité Gaúcho contra
a Alca, Milton Vilrio, o objetivo do plebiscito foi plenamente atingido.
"Queríamos levar para a população este
debate que estava escondido
dentro dos gabinetes do governo federal", comemora. De acordo
com Vil·rio, o resultado mostra que o povo brasileiro se
interessa por problemas sociais, e quer debatÍ-los. "Quando
chamada, a população participa efetivamente",
destaca. "O plebiscito foi o maior movimento pedagógico
realizado em toda a história do Brasil." |
Artistas
da Caixa
Obras na Europa
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O
artista plástico e empregado da Caixa em Ijuí Carlos
Boti participa pela primeira vez do 7º Circuito Internacional
de Arte Brasileira. As suas obras vão estar expostas em salas
de exposição
e nas embaixadas brasileiras em Paris, França, e em Viena,
Áustria, durante o mês de outubro. Carlos Boti, que
é formado em Comunicação Visual, começou
trabalhando com publicidade. Na Caixa desde 1989, ele já
mostrou o seu talento em campanhas desenvolvidas pela empresa como
a "Amigo da Vida", realizada em 1992 em que criou uma
série de charges e desenhos chamada "Eles não
usam camisinha", exposição que percorreu vários
estados brasileiros. As três obras que estarão participando
do Circuito são pinturas e desenhos que retratam a realidade
de pessoas à margem da sociedade. "O meu trabalho é
voltado para o social", afirma Boti. Depois que passou a trabalhar
na Caixa ele diz ter pouco tempo para exercer as artes plásticas,
mas a participação no Circuito deu um novo incentivo.
"Estou produzindo todo dia", diz. "Quero participar
da próxima edição do Circuito com um trabalho
mais elaborado", completa. |
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