| RS:
ruptura e novos caminhos
Estado tomou
novo rumo com a eleição de Olívio Dutra, o que não
agradou a todo mundo.
Mas o que foi enfatizado e o que foi escamoteado pela grande imprensa nos
últimos quatro anos?
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| O
orçamento participativo chegou a todo estado. |
O
banrisul não foi privatizado e financia o desenvolvimento |
A eleição
de Olívio Dutra para o governo do Rio Grande do Sul em 1998 e a
sua posse no cargo em janeiro de 1999 significou uma ruptura no modelo
de desenvolvimento econômico e social praticado no estado até
então. Ainda durante a campanha eleitoral de 1998, Olívio
Dutra fez emergir nos seus discursos o verbo "espraiar" e o
adjetivo "espraiado". Queria o então candidato petista
identificar o modo como a Frente Popular governaria, caso ele, Olívio,
fosse eleito. Essas palavras, que passaram a fazer parte do vocabulário
cotidiano dos gaúchos, podem ser usadas como uma espécie
de símbolo do que foram os quase quatro anos do primeiro governo
de esquerda do Rio Grande do Sul. Ao invés de destinar grandes
somas a uma única e riquíssima empresa multinacional como
a Ford, o governo da Frente Popular preferiu destinar os recursos públicos
para empresas inseridas na chamada "matriz produtiva local".
Esse caso ligado ao setor econômico do estado já serve para
exemplificar o tipo de caminho que o governo Olívio Dutra seguiu
desde o princípio.
Obviamente, romper com modelos estabelecidos sempre causa descontentamentos.
A reação de segmentos políticos conservadores que,
historicamente tiveram o poder estadual nas mãos, foi implacável.
De repente, viram seus interesses contrariados, interesses que, de um
modo ou de outro, em menor ou em maior grau, sempre foram atendidos nos
governos anteriores. Em sintonia permanente com os grupos conservadores,
boa parte da grande imprensa não se furtou em fazer a sua parte
num evidente projeto de desqualificação do governo petista.
Diante da forma pela qual estão estruturados os meios de comunicação
no RS, pode-se pensar mais além. Grandes grupos de comunicação
não apenas se aliam a interesses políticos conservadores
mas se constituem como uma das grandes forças empresariais que
tiveram seus interesses contrariados. Dessa forma, vimos dois movimentos
paralelos da grande imprensa gaúcha. De um lado, uma estratégia
de enfatizar à exaustão fatos, episódios e situações
que pudessem atingir a imagem do governo liderado por Olívio Dutra.
Exemplo: de uma hora para outra, o RS pareceu tornar-se o estado mais
inseguro do país. Temas como a quebra do relógio da Globo,
ocupações de terra e a violência urbana foram coladas
à idéia de que o governo estadual incentivava a baderna
e não tinha interesse pela segurança dos gaúchos.
O segundo movimento da grande imprensa foi dar pouco destaque a aspectos
positivos alcançados pelo governo Olívio Dutra. Esse jogo
combinado entre correntes políticas conservadoras e a mídia
nem sempre é percebido pela população. Desse modo,
conceitos negativos vão sendo criados no imaginário popular.
O conselho editorial do João de Barro entende que a manipulação
de informações - disfarçada de isenção
- praticada por grandes meios de comunicação deve ser denunciada.
Por isso, nestas duas páginas, o leitor do João de Barro
poderá acompanhar alguns dados sobre o Rio Grande do Sul nos últimos
oito anos. São dados comparativos entre os quatro anos em que o
estado foi comandado pelo PMDB e os quatro anos da Frente Popular. Outros
dados relacionam avanços do estado e do país.
O
estado cresceu mais
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Os
complexos têxtil-bestuário (foto maior), calçadista
(em cima à esquerda) e moveleiro (acima à direita)
tiveram queda na produção e no nível de emprego
de 1994 a 1998. A partir de 1999, houve recuperação
e mais investimesntos nesses e em outros setores da matriz produtiva
local. |
Nos
quatro anos do governo de Antônio Britto, então no PMDB,
o Produto Interno Bruto do RS cresceu 0,8%. Já nos três primeiros
anos (1999-2001) do governo Olívio Dutra, o PIB gaúcho cresceu
11%, ou seja, 13 vezes mais do que no governo anterior. Os números
do PIB per capita também demonstram a diferença entre os
dois governos. De 1995 a 1998, o PIB per capita dos gaúchos caiu
3,9%. Já de 1999 a 2001, ele subiu 7,1%. Se compararmos, os indicadores
do RS e do Brasil nos últimos anos, vamos confirmar que o caminho
tomado pelo RS parece ser acertado. O PIB gaúcho cresceu 62% a
mais que o PIB do Brasil, cujo aumento foi de 6,8% entre 1999 e 2001.
Já o PIB per capita gaúcho cresceu 2,4 vezes a mais que
o brasileiro. Enquanto em 2001, o PIB per capita do RS foi de R$ 9.025,
no Brasil, ficou em R$ 6.873.
O caso da ida da Ford para a Bahia foi aproveitado pela mídia comprometida
com o governo anterior para criar a idéia de que a indústria
gaúcha estaria fadada ao fracasso. Por isso, outro indicador importante
de ser analisado é o PIB industrial. No governo do PMDB, o PIB
industrial gaúcho decresceu 4,7%. De 1999 a 2001, o crescimento
gaúcho nesse setor foi de 11,7%, enquanto que o brasileiro ficou
só em 1,7%. Outro dado contundente é a taxa de crescimento
da produção física do setor industrial. De 1995 a
1998, a taxa brasileira foi de 5,4%, a da Bahia foi de 10,6% e a do RS
foi de 2,7 pontos percentuais negativos. Já de 1998 a 2001, as
taxas foram estas: 7,4% (Brasil), -3,6% (Bahia) e 13,5% (RS).
O crescimento da indústria gaúcha nos últimos anos
pode em boa parte ser creditado aos incentivos do governo estadual aos
Sistemas Locais de Produção (SLPs), uma adaptação
terminológica dos chamados "clusters", conceito moderno
de desenvolvimento aplicado na Europa, principalmente na França
e na Itália e em algumas regiões dos Estados Unidos. O governo
Olívio Dutra destinou mais de R$ 3 bilhões para os SLPs
coureiro-calçadista, moveleiro, máquinas e implementos agrícolas,
conser-veiro e autopeças.
A indústria calçadista é um bom exemplo para analisar
a mudança ocorrida. De 1995 a 1998 não houve nenhum incentivo
a esse setor. O resultado foi a perda de 33,4 mil empregos formais e o
fechamento ou transferências para outros estados, principalmente
do Nordeste, de cerca de 300 indústrias. Já o governo Olívio
Dutra criou um programa específico para esse setor, com linhas
de crédito, apoio à comercialização, à
inovação e à qualificação produtiva
e ao associativismo. O resultado: recuperação de 35 mil
empregos formais e aumento no número de empresas no setor.
No setor têxtil-vestuário, outro exemplo. De 1995 a 1998,
perda de 4,3 mil empregos no setor. De 1999 a 2001, foram recuperados
mais de 4,2 mil empregos. No setor moveleiro, dados semelhantes: só
em 1995 mais de 3.100 postos de trabalho fecharam; já entre 1999
e 2001, foram gerados 4,8 mil empregos.
Veja gráficos comparativos na página 11.
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