| Jornal
João de Barro - nº268 outubro/2002 hoje |
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| Semelhança não é mera coincidência Germano Rigotto representa a volta de uma política que exclui a sociedade das decisões públicas.
Isso não é tudo. Você lembra do apagão? Pois Rigotto foi um dos responsáveis pela crise ao apoiar a privatização dos setores de energia elétrica, de telecomunicações. O peeme-debista também defendeu o interesse dos banqueiros e espe-culadores ao votar pela isenção da CPMF para a Bolsa de Valores. Os trabalhadores têm que pagar a contribuição, já os aliados do PMDB são beneficiados pela isenção. Rigotto também lutou pelo fim da estabilidade dos servidores públicos. Uma reportagem no jornal Folha de São Paulo, de 16 de outubro de 1995, afirma "o líder do governo no Congresso, deputado Germano Rigotto (PMDB-RS), cobrou ontem mais empenho dos governadores na defesa da reforma administrativa. Na avaliação do Planalto, a proposta de acabar com a estabilidade dos servidores públicos interessa mais a estados e municípios, mas é o governo federal que arca sozinho com o ônus de defendê-la." E é o próprio Rigotto que defende: "os governadores deveriam procurar os meios de comunicação, que estão abertos, conscientizar suas bancadas, formar opinião, disse Rigotto". O diretor de política sindical e formação da Federação dos Bancários do RS e funcionário do Banrisul, Carlos Augusto Rocha, acredita que um possível governo de Rigotto seria tão somente a continuação do governo de Britto. Durante seus quatro anos de mandato, entre 1994 e 98, o ex-governador aplicou a ideologia do seus partido, privatizando a CRT e desmembrando a CEEE em seis empresas, sendo três delas privatizadas. "O PMDB não mudou as suas idéias desde aquela época, apenas houve uma mudança no nome do candidato", diz. "A vitória de Rigotto não representará uma vitória pessoal, mas sim dessa ideologia partidária, baseada na venda das instituições públicas." O Banrisul somente não foi privatizado e não está na lista de bancos estaduais a serem vendidos pela vontade política do governo da Frente Popular. Vale lembrar que a Assembléia Legislativa aprovou um projeto de emenda constitucional em junho deste ano, sancionado pelo governador Olívio Dutra, onde é garantido que o Banrisul e a Corsan só poderão ser privatizados depois da realização de um plebiscito junto à população gaúcha, que decidirá se as empresas devem ou não serem vendidas. Apesar disso, uma administração que pense de forma diferente pode desqualificar o banco e influenciar a decisão da população. Na opinião da presidente do Centro dos Professores do RS (Cpergs), professora Jussara Vieira, o PMDB foi um grande aliado do governo FHC e, portanto, contribuiu para a aplicação de políticas neoliberais, indo contra os interesses dos servidores públicos. A professora destaca que nos dois últimos mandatos do partido no RS, nas gestões de Pedro Simon e Antônio Britto, a educação foi um setor que sofreu enormes prejuízos. "Os professores perderam conquistas históricas, como o fim dos dois e meio salários mínimos de base para o magistério", lamenta. A possibilidade de Rigotto assumir o governo do Estado é vista com apreensão por Jussara. Segundo a professora, o RS precisa afirmar o modelo que se contrapõe ao neoliberalismo. "Temos uma grande responsabilidade no contexto internacional", explica. "É aqui que se realiza o Fórum Social Mundial, e é para cá que os olhos do mundo se voltam para pensar numa outra possibilidade de sociedade." O presidente da CUT/RS, Quintino Severo, lembra que Rigotto nunca atuou em favor do serviço público. "Quem garante que um deputado que votou pelo fim da estabilidade dos servidores públicos, como fez Rigotto, não irá desenvolver essa política como governador?", questiona Quintino. Segundo o sindicalista, a retirada da estabilidade do servidor público, além de causar demissões em massa, significa vincular e reforçar uma política de apadrinhamento. Isto é, os cargos públicos seriam ocupados por pessoas que sejam apadrinhadas politicamente, seja pelo partido ou pelas próprias candidaturas. "Isso é um extremo retrocesso", condena. O sindicalista afirma ainda que a mídia, durante o mandato de Olívio Dutra, fez um intenso trabalho preparando a desconstituição do atual governo. Assim, não foi possível que o governador apresentasse para a sociedade todas as suas realizações. "Foi colocado na cabeça das pessoas que o projeto que está em curso no RS não serve, pois evidentemente não apóia as elites e os grandes grupos econômicos", explica. Mesmo assim, Quintino acredita que possa haver uma grande virada no segundo turno, já que agora Rigotto deverá apresentar os seus projetos para o RS. "Ele não disse ainda o que vai fazer com o Estado", afirma. "Com os dois planos de governo expostos e diferenciados, as pessoas poderão ver a verdadeira face do candidato do PMDB." O senador eleito Paulo Paim (PT-RS) acredita que os partidos que historicamente apoiaram a base governista, entre eles o PMDB de Rigotto, foram responsáveis por inúmeros prejuízos para os trabalhadores, como o fim da política salarial e a desvinculação do salário mínimo dos benefícios de aposentados e pensionistas e a criação do fator previdenciário, que reduziu os benefícios das mulheres em 30% e o dos homens em 20%. De acordo com Paim, é fundamental que o eleitor entenda que as eleições de 27 de outubro apresentam uma polarização de propostas, com dois projetos completamente diferentes. "Existe o projeto aliado com o interesse dos trabalhadores, comandado por Lula e Tarso, e a proposta de continuidade da política neoliberal, representada por Serra e Rigotto", afirma o senador.
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