Jornal João de Barro - nº268 outubro/2002
em pauta

CAMPANHA SALARIAL
A má vontade da Caixa

A direção da Caixa se recusa a cumprir as cláusulas do acordo assinado com os representantes dos bancos. O recebimento da convenção coletiva da Fenaban ocorreu depois de muito protesto por parte dos representantes dos empregados, já que os diretores se recusavam a receber o documento. Na entrada da Matriz, a diretoria da Caixa colocou seguranças, que tentaram impedir os sindicalistas de entrarem no prédio. A convenção foi entregue no dia 27 de setembro. A Caixa continua a negociar com a Contec, que apresentou uma proposta considerada demagógica pelos representantes dos empregados. "É uma pro-posta oportunista que serve para tentar legitimar a Contec como interlocutora dos em-pregados na mesa de negociação", afirma o diretor de Relações do Trabalho da APCEF, Júlio Teixeira. "
Além de não negociar com a categoria, a diretoria da Caixa ainda aproveita os últimos dias de comando para promover a mudança no estatuto da empresa. A al-teração no estatuto realizada através de decreto-lei, cria novos cargos para o alto escalão. O movimento dos empregados divulgou carta aberta aos clientes con-testando as mudanças clas-sificadas de "casuísticas" e "exemplo de uma política que prima pelo autoritarismo e desrespeito a clientes e trabalhadores da empresa".


POSSE NA FUNCEF
O empregado da Caixa eleito para o Conselho Deliberativo da Funcef, Carlos Caser, passa a ocupar a Diretoria de Controladoria da Fun-dação. Caser tomou posse no dia 1º de outubro afir-mando a necessidade de "participação dos asso-ciados na gestão, trans-parência absoluta e a construção de uma Funcef como um dos fundos de pensão mais sólidos do país, com a certeza de que os recursos não serão usados para outros inte-resses que não seja o de garantir o pagamento das aposentadorias e pen-sões".
 
PRAIA REAL
Os adquirentes de terrenos na Praia Real estão sendo convidados a participar de uma reunião no dia 15 de novembro, às 10 horas, na Colônia B da APCEF (Av. Cel. Marcos, 851), onde serão discutidos alguns encaminhamentos.
A comissão encarregada de acompanhar o desenrolar dos processos orienta aos adquirentes que não prestem informações, não procedam pagamentos e nem assinem qualquer documento que seja apresentado sobre qualquer questão do lotea-mento sem antes entrar em contato com a APCEF. Também está sendo solicitado que sejam atualizados os dados relativos aos lotes adquiridos, para possibilitar maior êxito nas demandas em andamento que buscam a solução das pendências relacionados à aquisição dos terrenos.

TERCEIRIZAÇÃO
Cooperativas fantasmas

A contratação de prestadoras de serviços continua proibida na Caixa.
Já algumas cooperativas não agem no princípio cooperativista.

A contratação de empresas terceirizadas continua proibida na Caixa por determinação da Justiça. Mas o movimento dos empregados está recebendo denúncias de violação da decisão. Além de des-cumprir uma ordem judicial, a Caixa ainda contrata cooperativas que em muitos casos tem só o nome de cooperativa, já que são administradas como uma empresa, onde os cooperati-vados que deveriam participar da gestão apenas cumprem ordens.Em Porto Alegre, a Cooptel, responsável pela área de digitação, alegando não ter saldo nos fundos de reserva para quitação de débitos decorrentes de recla-matórias trabalhistas, convocou todos os seus sócios a pagarem os valores aos reclamantes na Justiça do Trabalho que tiveram reconhecida a sua relação de trabalhador. Cada associado foi convocado a pagar R$ 75. Em correspondência encaminhada aos associados, a direção da cooperativa faz a ameaça de "inscrever no banco de dados do sistema cooperativista todas as pessoas de má fé que pretendiam auferir o ganho fácil na Justiça do Trabalho, inclusive aqueles que tiveram derrota na sua intenção".
O diretor da APCEF Irineu Foschiera alerta para a gravidade da situação. "Esses trabalhadores não têm direito a férias, ao décimo terceiro salário, ao FGTS e outros benefícios garantidos e ainda sofrem ameaças", diz Foschi-era. "O reconhecimento pela Justiça de vínculo empre-gatício com a empresa prova que não existe relação de coo-perativismo", acrescenta.