Jornal João de Barro - nº268 outubro/2002
editorial

A hora é agora

Caro leitor, o momento que vivemos no Brasil exige um posicionamento. As eleições para presidente da República e para governador do Rio Grande do Sul mostram claramente dois projetos de governo. No plano nacional, apresenta-se o projeto que conhecemos há muito tempo. É impossível citar em poucas linhas todos os malefícios que trouxe para o povo brasileiro. As políticas de exclusão social foram freqüentes. Os direitos trabalhistas foram atacados, a idade mínima para aposentadoria foi aumentada, os brasileiros sofrem com os aumentos da cesta básica, de medicamentos, de serviços de energia elétrica, telefone, gás e combustível e os salários sofrem defasagem a cada dia. Um projeto que beneficiou os banqueiros, os donos da grande imprensa, que cumpriu todos os mandamentos do Fundo Monetário Internacional que, em contrapartida, exige cada vez mais restrições ao desenvolvimento do país.
De outro lado, existe um projeto que já mostrou que é possível governar para a maioria, que é possível atender às necessidades da população, como ocorre no governo do RS. Um projeto que prioriza o bem público, o respeito à cidadania. Um projeto de inclusão, de valorização da vida das pessoas e do que elas podem fazer melhor, que não destina grandes somas de dinheiro para uma única empresa, mas que investe para que várias empresas possam desenvolver mais empregos e com valorização ao trabalhador. O projeto que quer eleger Lula presidente defende um Brasil mais justo e com igualdade para todos.
O governo da Frente Popular no RS recebeu em 1998 um estado em crise financeira e social. Um estado desmontado pelos diversos governos que estiveram no poder. Apesar disso, foi possível reconstruir e investir em áreas antes relegadas a segundo ou terceiro planos. Os investimentos nas áreas de saúde, educação, agricultura, segurança e habitação receberam mais investimentos do que nos governos anteriores. As prioridades de governo foram invertidas. A população decide através do Orçamento Participativo qual projeto é mais urgente e onde quer os investimentos. O comprometimento do governo da Frente Popular é com a sociedade e não com alguns setores ou algumas empresas.
O contrário disso tudo é representado pelo candidato do PMDB, Germano Rigotto, em um partido que já governou o estado e já mostrou quais são seus objetivos. Esse projeto é voltado para uma pequena parcela da população. O candidato representa no estado o mesmo projeto do governo Fernando Henrique e José Serra e já mostrou quais as suas prioridades quando foi líder do governo no Congresso.
Por todas essas questões e acreditando que é preciso um posicionamento claro de todos os movimentos sociais é que a diretoria da APCEF, a CUT nacional e estadual e os delegados do XVIII Conecef declararam apoio às candidaturas de Lula e Tarso. Essa decisão não é momentânea, mas está arraigada em um projeto político para o país que congrega toda a sociedade. Por acreditarmos num mundo melhor é que queremos começar construindo um país igual para todos. A responsabilidade por um país justo é de todos e não apenas dos governantes, mas para isso a população precisa de oportunidade para mostrar o que pensa e o que quer. Essas oportunidades não surgiram em governos que priorizam os interesses externos aos locais e que incentivam grupos econômicos internacionais ao invés de investir na produção local. Queremos um Brasil e um estado para todos por isso queremos Lula presidente e Tarso governador, pois como afirmou o músico Yamandu Costa ao ser questionado sobre seu voto em Lula "Porque fui mal acostumado: cresci em Porto Alegre, na ótima administração do PT. Aprendi o que é cidadania. Quero o mesmo para todo o país. "