REB
Não à migração
Aposentados da Caixa dizem por que não optaram pelo REB.

Os aposentados da Caixa sofrem há oito anos sem reajuste em seus vencimentos e ainda convivem com o fim do tíquete-alimentação, perda de funções gratificadas e a perda de poder aquisitivo. Nesse cenário, a diretoria da Funcef instituiu o REB e apresentou como a salvação para todos os aposentados e empregados da ativa. O dinheiro oferecido aos aposentados que migrarem será cobrado, segundo a avaliação jurídica dos advogados que atendem o seguro jurídico da APCEF, ou em aumento de contribuição dos assistidos, ou em diminuição dos benefícios dos participantes.
O João de Barro entrevistou alguns aposentados que não migraram e não pretendem fazer a opção pelo REB. Confira a opinião deles a respeito de mais esse deserviço da Funcef.

Por que não migrar
"É uma transformação que, da forma como está, beneficia mais a empresa, livrando dos compromissos, da dívida, mas em relação ao empregado o que acena é o objetivo imediato de dinheiro, que no caso dos aposentados, principalmente, estamos com os salários congelados e não temos o tíquete alimentação, os abonos, férias, então muitas pessoas migraram por extrema necessidade. A longo prazo, acredito que não seja bom. Eu considero que deve haver uma mudança na estrutura do REG e Replan para se ajustar à nova época, mas que pode acontecer dentro do Replan, sem prejuízos para os empregados, como considero que o REB traz.
Maria Claudia Acioli

"Nós vivemos em um país que adotou farsa na política, para não dizer mentira. No momento que nossos gover-nantes, ministros e a própria direção da Caixa afirmam uma coisa estão afirmando de uma forma sofista, ou seja, apontando para um lado mas querendo que a gente enxergue para o outro, é uma falta de credibi-lidade, de transparência. O REB, eu entendo que se trata de uma grande manobra visando privatizar, vender a Caixa para um grupo estrangeiro; para eles seria salutar que a Caixa não trouxesse o peso trabalhista dos aposentados, dos planos dos empregados, cada um migrando para o REB, funcionando como uma entidade autônoma, que teoricamente seria gerida pelos próprios participantes, na prática continua a ser gerida por eles, a Caixa tiraria dos seus ombros a responsabilidade, tornaria a Caixa muito mais atraente para os investidores internacionais que quisessem comprá-la, já que não levariam todo o passivo de situações trabalhista, que futuramente poderão ensejar um sem número de ações trabalhistas. Então, vendo todas essas coisas, olhando a falta de credibilidade do próprio governo e a subserviência dos nossos presidentes da Caixa em favor do governo, empregados, as associações, os sindicatos, os aposentados, nada disso importa, eles não sabem que uma instituição é composta de dois públicos, um interno e outro externo, tem que agradar a ambos, e não está agradando nem a clientela que está mal atendida nessas agências, que são autênticas ratoeiras e nem está agradando o funcionalismo, que está desmotivado.
O que estão oferecendo é um engodo, uma mentira. As pessoas têm ilusão de retirar os 10%, as pessoas estão mal e eles acenam com a possibilidade de tirar aquele dinheiro, isso é uma forma de suborno. As pessoas recebem aquele dinheiro, mas vão diminuir a renda vitalícia e o seu fundo, e isso é mais prejudicial do que útil."
Antonio Mesquita Galvão

"O Mansur (Antônio Carlos Mansur diretor eleito de assuntos corporativos e institucionais na Funcef) me telefonou com a desculpa de me felicitar pelo meu aniversário, depois entrou na conversa do REB e queria me convencer, por a mais b, que eu só ia ter vantagens migrando para o REB. Eu disse que não ia migrar, que não acreditava, eu não confio nesse plano, se fosse tão bom eles não iriam oferecer. A impressão que eu tenho é que eles querem nos desvincular completamente de tudo e nos atirar na vala comum. Eu não confio nem nesse plano, nem nesse governo que tá aí. Não quero perder o pouco que tenho, faz oito anos que a gente não tem aumento mas eu não acredito que vá mudar muito a minha vida, melhorar com esse plano. Eu não quero me desvincular, já perdi cheque-alimentação e um monte de coisas e não confio e não quero perder mais do que já perdi. E ninguém pode me obrigar a migrar."
Nilza Escobar Hasselmann

Jornal JB - ed. set/02